A regata

Uma escola de regata de longo percurso, primeiro degrau para um futuro skipper profissional, aventura de uma vida. Querer estar em contato com o mar sozinho durante mais de um mês de navegação, um desafio de vencer o sol, a solidão, a sede, a fome, e o pavor de navegar sem assistência exterior. Adaptar o corpo para dormir em seqüências de 20 minutos, gerar um " apartamento " de 4 m 3 com vista para o mar, com cozinha, quarto de dormir, escritório e banheiro incluso... A Charente-Maritime/BahiaTransat 6,50 é tudo isso e é ainda a regata mais fora do comum !

32 anos !

Trinta e dois anos depois da criação da prova, a 17a edição da Charente-Maritime/Bahia Transat 6,50 2009 partirá no domingo 13 de setembro do lado da Charente-Maritime em direção à Salvador da Bahia (Brasil). Ex Mini-Transat, essa prova mística reúne a cada dois anos skippers de todos os horizontes, sendo eles desconhecidos, famosos e/ou futuros famosos, num espírito de solidariedade, de ajuda e respeito. É la onde todas as nacionalidades se confudem ! A Tda Charente-Maritime/Bahia Transat 6,50 é também a regata em solitário mais internacional que existe, hoje ela tem nada menos que 14 nacionalidades representadas. Essa 17a edição reunirá americanos, austríacos, ingleses, espanhois, italianos, franceses, holandeses, portugueses e brasileiros...

Um homem, um barco, o oceano...

" Enfrentar o Atlântico dentro de uma casca de nozes " é uma boa imagem. Daniel Gilard, primeiro vencedor dessa Transatlântica, fora do comum, sobre seu Petit Dauphin, não sabia exatamente o que poderia esperar dessa regata quando decidiu seguir a idéia de Bob Salmon em 1977. Mais o desafio torna-se real, e a Mini-Transat vai conquistar seu título de nobresa sobre o vento que sopra nas outras regatas como : a Rota do Run, Transat Inglesa e Vendée Globe, esta última, destinação final para alguns que viveram a experiência na versão Mini. Regata em solitário sem assistência exterior, barco de 6,50 metros de largura e o oceano Atlântico, esses são os três ingredientes desse incrível prato marinho servido com escala na Ilha da Madera (Portugal). Até hoje, a fórmula continua a mesma, não sendo modificada em uma só milha. Essa frase de Daniel Gilard, extraída do livro " Petit Dauphin sur la peau du diable/Pequeno golfinho na pele de um diabo " (Editions Julliard) : " Bob Salmon fez a prova em duas etapas. A primeira, dita seletiva, permitia aos solitários que não se sentiam suficientemente preparados fisicamente, moralmente e tecnicamente, de poderem desistir, abandonar, voltar para casa sem ter vergonha ou se sentir desmoralisado "

Cada um, sua uma própria regata ...

Sonho de vitória para uns, mas um sonho de travessar o Atlântico para todos ! E se a mentadidade é de " Um por todos e todos por um ", é bem o cotidiano dos velejadores, mais cada um busca seus objetivos. Barco mais preparado para àqueles que são fovaritos, outros com o mínimo de estrutura só para poderem viver a aventura de uma vida, sentir o frio na barriga de ter toda a família como mulher e os filhos se despedindo no pier. A Charente-Maritime/Bahia Transat 6,50 é uma escola primária de humildade e de honestidade, é estar perto dos outros como de si mesmo.

Homens, mulheres e...

A Charente-Maritime/Bahia Transat 6,50 é vítima de seu sucesso ? Sim ! Resultado, esse ano, eles serão 84 na largada, dividos entre os prototipos, e os barcos de série. Eles poderiam ser 100, essa Transatlântica em solitário atrai como um imã tanto amadores como semi profissionais. E eles são de todas as idades, jovens ou maduros, homens e mulheres. Este ano elas serão 9 a cortar a linha de partida no próximo 16 de setembro.

Baixos orçamentos ...

" Quarto com vista para alugar, baixo orçamento "... Esse poderia ser o anúncio de um velejador a procura de patrocinador. É necessário dizer que os 6,50 metros de largura de casco, não é apenas um lugar para viver. E que os 4 m3 de interior não são favoráveis para grandes loucuras. Fogão para esquentar os pratos desidratados, uma pequena mesa de navegação para traçar a melhor rota. Velas bem arrumadas nos sacos, estojo farmacéutico dentro de uma caixa impermeável, pouca reserva de água potável, lastros compensadores de equilíbrio, VHF colado na parede do barco, lápis e compassos com velcro para não perdê-los. Bota e casado de tempo em um canto ainda húmido, caixas com mantimentos guardados com cuidado e organizadas, passaporte e papéis da embarcação ao alcance. Não esquecer de utilizar o boné e protetor solar é também super importante … mas onde diabos está a cama ? Se a tendência em se adaptar com grandes espaços já é difícil, viver à bordo de um Mini é um verdadeiro sacerdócio. E o que dizer dos que dormem à bordo, no pier, por falta de "orçamento hotel", durante os meses de preparação? E o que imaginar quando é preciso entrar molhado na cabine do piloto para proteger-se ao máximo dos chuviscos ? Para entender tudo isso é necessário participar, estar dentro, viver para crê-lo...

Um aspirador de talentos ...

Todos que passaram a reconhecem : essa Transatlântica é a porta de entrada no mundo das regatas de longo percurso. Um grande funil e um aspirador de talentos, essa regata é conhecida pelo seu provérbio " faça a Mini em primeiro lugar "... É bom lembrar que os antecessores são famosos e basta dar uma olhada na lista dos inscritos para se ter uma idéia. Isabelle Autissier, Catherine Chabaud, Ellen MacArthur, Yves Parlier, Jean-Luc Van Den Heede, Michel Desjoyeaux, Thierry Dubois, Loïck et Bruno Peyron, Yvan et Laurent Bourgnon, Roland Jourdain, Patrice Carpentier, Sébastien Josse, Thomas Coville, Jacques Caraës, Lionel Lemonchois, Luc Bartissol, Halvard Mabire, Lionel Péan, Didier Munduteguy... Eles estão todos lá ! " Dentro d'água que tive consciência da verdadeira solidão, pois eu estava privado dos meios de comunicação. Na chegada, eu tomei consciência que eu me virei sozinho, que eu fiz o barco andar sem me fazer perguntas. Agente se torna forte ao menos... e um pouco louco " descreve Thierry Dubois, vencedor em 1993 da Amnesty International.

A própria sorte ...

Para participar, cada velejador deve passar por alguns critérios : ter um barco correspondendo as normas da classe em vigor. Haver um " histórico" de regatas realizadas fora da corrida e de navegações qualificativas. E se mesmo as regras de segurança tomaram uma proporção importante nestes últimos anos, o que predomina na Charente-Maritime/Bahia Transat 6,50 é sempre continuar com o mesmo espiríto. Sem rota precisa, sem ajuda exterior, os 84 velejadores estão a mercer deles mesmos durante essa travessia do Atlântico, debutante e única no mundo das regatas de longo percurso. Também, cada velejador deve ser capaz de resolver por seus próprios meios os problemas que ele possa vir a ter. Essa é a porta de entrada na vida de um skipper profissional. É a porta de entrada no mundo da autonomia, da responsabilidade e dos famosos sentidos de navegação que têm aqui um verdadeiro valor !

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